segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

De onde vêm os bebês

Hoje, em pleno ponto de ônibus, fui surpreendida com a pergunta que achei, na minha ingênua inocência materna, que fosse demorar ainda um bom tempo pra acontecer. Primeiro veio "Mamãe, como é que o bebê sai da barriga?" (. a propósito, não estou grávida). Tá, essa foi fácil, expliquei sem entrar muito nos pormenores da anatomia feminina e bastou. Aí veio a segunda "E como é que o bebê entra na barriga?" Aí confesso que todo meu lado descolado de mãe-moderna-que-vai-conversar-sobre tudo-abertamente-com-a-filha foi pro espaço. Simplesmente fui pega com as calças na mão, dei uma gaguejada e me senti ridícula quando me ouvi dizendo "mamãe e papai se amam muito"... blargh... Nem sei o que falei depois, o ônibus deve ter chegado e ela esqueceu. Mas na volta, novamente no bendito quatro-rodas comunitário (porque essas coisas sempre acontecem quando tem platéia?) lá veio a pergunta de novo, óbvio, não respondi satisfatoriamente, ela não se dá por vencida assim tão facilmente. Aí saí pela história da sementinha do papai e da mamãe que se encontram e fazem um bebê. Ah, vamos combinar que tá próximo da realidade, certo? E juro que terminei a frase rezando mentalmente pra ela não me perguntar como é que as sementinhas se encontravam. Eu não gosto de mentir e inventar história da carochinha pra explicar as coisas, mas ainda acho muito cedo pra saber de certas coisas. Difícil é achar um jeito de explicar sem ter que explicar, se é que me entendem.

E eu sei que ainda vem muita pergunta por aí.

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

Mundo cão

Tem muita gente que gosta de exaltar como a Europa é "civilizada", organizada, como as pesoas são mais bem educadas e respeitam o próximo. Já perdi a conta de quantas vezes li esses lugares comuns em blogs de expatriados. Vai ver até eu já devo ter escorregado também por esse caminho, não me lembro. Mas a realidade é um pouco diferente e fica descarada às vezes.

Um exemplo, desde a última nevasca que ficou muita neve acumulada nas calçadas e como ela não derrete, tudo que ali se faz, fica literalmente preto no branco. Ou tão nojento quanto, amarelo no branco. Os donos de seus totós levam seus amados sem o menor comprometimento com a sanidade pública pra fazerem suas necessidades fisiológicas ao longo do caminho. Que nojento é ver aquela mancha amarela de xixi na neve! E não é pouco, não, só aqui na minha rua no caminho pra escola da Julia, é um do lado do outro. Rua de bairro bom, civilizado, de classe média. Um nojo! Nem dá mais pra deixar a Julia brincar na neve, a não ser que seja no jardim interno do prédio.

Eu acho uma falta de respeito sem tamanho, e depois vem o pediatra e ainda tem a cara de pau de me dizer que criança aqui não tem verme, quer isso é coisa de país em desenvolvimento. Sim, eu já ouvi isso.

Eu nem tinha noção de quanto xixi de cachorro tem nas ruas até ver agora a prova marcada na neve. Não vou deixar nem mais a Ju catar folha e galho no verão porque não dá!

Preciso dizer só mais uma vez, que nojo!

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

A era do gelo








domingo, 10 de janeiro de 2010

Os meios de comunicação daqui não tem outro assunto a não ser a tempestade de neve que levou a Alemanha de volta a era glacial. Aqui em Hamburgo a coisa está leve, neva bastante, mas não chega a ser caótico. Eu confesso que já passei da fase de achar bonito olhar lá pra fora e ver tudo branco. Uma semana é legal, duas, vai lá, mas já deu. Acho que há mais de um mês não vejo a calçada. Quando a Julia acorda de manhã no fim de semana, eu tenho que olhar no relógio pra saber se ainda é madrugada, e na maioria das vezes não é, já são pra lá das nove.

Tudo que é demais cansa, o calor sufocante que deixa a gente suada no Rio é um saco, mas esse frio e essa paisagem inóspita prolongada também dá nos nervos.

Tem algum cacique de plantão pra me ensinar a fazer um dança e espantar essa nevasca daqui?

Update: Parece que o Alster, o lago principal do centro de Hamburgo está congelado mesmo. Encontrei essa foto. (Fonte)

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

Daisy

Prevista nevasca para este fim de semana passando pela Europa, tem até nome de flor, Daisy.

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

O frio


Então, tá um frio do cão, tão frio que até o urso polar da casa tem reclamado. A máxima hoje é de -5, eu disse a máxima, nem quero saber da mínima. Mas a sensação é de -16 conforme informação do rádio, porque leva-se em consideração umidade do ar, ventos,etc. Eu não tenho problema com frio, com a roupa certa dá pra sobreviver sem virar picolé. Mas vamos combinar que é um saco o tira e bota de acessórios a cada vez que a gente entra num shopping ou supermercado em que você vá ficar mais de dez minutos. Porque os caras colocam o aquecimento altíssimo e eu passo mal com aquele ar abafado e seco. É irrespirável (nem sei se existe essa palavra). Agora multiplica a odisséia de vestir e tirar casaco, gorro, luvas e cachecol por dois, porque a criança também cozinha dentro daquela rouparada toda se a gente não está ao ar livre. Soma-se ao vestuário dela ainda uma calça especial de neve que coloca-se por cima da outra e eu no final preciso de um carrinho de mão pra carregar tudo.

Outro inconveniente são as camadas de gelo que se formam aqui e ali, quando por acaso chove e a temperatura está negativa. É como andar sobre uma calaçada cheia de sabão. Só que não dá pra ver sempre o gelo, então fatalmente a cada inverno pode-se contabilizar uma meia-dúzia de tombos de bunda no chão. Eu já levei meu primeiro em dezembro, na porta da escola da Julia, passei o Natal de mão ralada e retaguarda avariada. A prefeitura da cidade espalha uma areia pelas calçadas que melhora o atrito e evita esse chão escorregadio, mas não dá pra ser assim tão eficiente.

No primeiro inverno na Alemanha, há 7 anos atrás, eu peguei -17 (taí a resposta da sua pergunta, Marília), logo no meu segundo dia aqui, era dezembro de 2002, eu recém chegada do Rio 40 graus. Quase morri. Achei que estivesse com paralisia facial, porque nem a língua eu sentia. Leve-se em consideração que meus acessórios naquela época eram made in Brasil, ou seja, não adiantavam de nada pro frio daqui.

É legal ver a paisagem branca, fazer boneco de neve (que é difícil pacas, ainda não conegui pegar o jeito da coisa), puxar a Julia no trenó e ver ela fazendo anjinho no chão.

Mas eu não vejo a hora da primavera chegar.